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GESTÃO EMPRESARIAL – Por Max Gehringer

Posted on the fevereiro 16th, 2008 under Textos e Pensamentos by Renan Lima

É um pouco longo mas vale a pena.

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso portal. Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas.
Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes: – Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu. – No céu?…
- É. Tipo assim, o céu. Aquele com querubins voando e coisas do gênero.
- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.
Apesar das óbvias evidências (nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.
Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa. E foi aí que o interlocutor sugeriu: – Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.
- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?
- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.
- Assim? (…)
- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho: – Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e…

- Executiva… Que palavra estranha. De que século você veio?
- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo “executivo”?
- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.
Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.
- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um up-grade na produtividade sistêmica.
- É mesmo?
- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?
- Ah, não sabemos.
- Headcount, então, não deve constar em nenhum versículo, correto?
- Hã?
- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.
- Que interessante…
- Depois, mais no médio prazo, assim que os fundamentos estiverem sólidos e o pessoal começar a reclamar da pressão e a ficar estressado, a gente acalma a galera bolando um sistema de stock option, com uma campanha motivacional impactante, tipo: “O melhor céu da América Latina”.
- Fantástico!
- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização de um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.
- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista… Ele existe, certo?
- Sobre todas as coisas.
- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atrativo.
- Incrível!
- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um turnaround radical.
- Impressionante!
- Isso significa que podemos partir para a implementação?
- Não. Significa que você terá um futuro brilhante… Se for trabalhar com o nosso concorrente.
Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno…

Sebrae – Cursos gratúitos e online

Posted on the janeiro 22nd, 2008 under Dia a dia by Renan Lima

Sempre nessa época abre os cursos do SEBRAE, que por sinal são excelentes.
O curso é gratuito e on-line.

Eu sempre faço cursos no Sebrae, eles são fantásticos. Para você que nunca fez um curso no Sebrae, vai lá e se cadastra, eles dão preferência para novos usuários.

Você faz o curso no período de aproximadamente um mês e depois recebe um certificado assinado em sua casa.

É uma experiência ótima, o clima de relacionamento, embora seja totalmente on-line, é muito empolgante. Você conhece pessoas novas e bate papo sobre a situação referida ao curso.

É uma experiência válida, libere seu espírito empreendedor e inscreva-se.

Cursos: http://educacao.sebrae.com.br

Iniciativa X Acabativa – Stephen Kanitz

Posted on the dezembro 5th, 2007 under Textos e Pensamentos by Renan Lima

Isto é um teste de personalidade que poderá alterar a sua vida.

INICIATIVA é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas idéias.

Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca.

ACABATIVA é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram. É a capacidade de colocar em prática uma idéia e levá-la até o fim.

Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um:

– Os empreendedores, os iniciativos e os acabativos – sem contar os burocratas.

- Negociadores são aqueles que têm iniciativa e acabativa.

Um seleto grupo que não se contenta em ficar na idéia e vai a campo implantá-la.

- Iniciativos são criativos, têm mil idéias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática.

São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas que nunca assinaram uma promissória.

Acabativa é o ponto fraco desse grupo.

- ACABATIVOS são aqueles que gostam de implantar projetos.

Sua atenção vai mais para o detalhe que para a teoria.

Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação.

Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.

Essa singela classificação explica muitas das contradições do mundo moderno.

Empresários descobrem rapidamente que ficar implantando suas próprias idéias é coisa de empreendedor egoísta.

Limita o crescimento. Existem mais pessoas com excelentes idéias do que pessoas capazes de implantá-las.

É por isso que empresários ficam ricos e intelectuais, professores – morrem pobres.

Se Bill Gates tivesse se restringido a implantar suas idéias, teria parado no Visual Basic.

Ele fez fortuna porque foi hábil em implantar as idéias dos outros – dizem as más línguas – que até copiou algumas.

Essa classificação explica também por que intelectual normalmente odeia empresário, e vice-versa.

Há uma enorme injustiça, na medida em que os lucros fluem para quem implantou uma idéia, e não para quem a teve.

Uma idéia somente no papel é letra morta, inútil para a sociedade como um todo.

Um dos problemas do Brasil é justamente a eterna predominância, em cargos nos ministérios, de professores brilhantes, com iniciativa, mas com pouca ou nenhuma acabativa.

Para o Brasil começar a dar certo, precisamos valorizar mais os brasileiro com a capacidade de implantar nossas idéias. Tendemos a encarar o acabativo, o administrador, o executivo, o empresário como sendo parte do problema, quando na realidade eles são parte da solução.

O INICIATIVO almeja ser famoso, o ACABATIVO quer ser útil.

Mas a verdade é que a maioria dos intelectuais e INICIATIVOS não tem o estômago para devotar uma vida inteira a fazer dia após dia, digamos, bicicletas.

O INICIATIVO vive mudando, testando, procurando coisas novas, e acaba tendo uma vida muito mais rica, mesmo que seja menos rentável.

Por isso, a esquerda intelectual e a direita neoliberal conviverão sempre às turras, quando deveriam unir-se.

Se você tem iniciativa mas não tem acabativa, faça um curso de administração ou tenha como sócio um acabativo.

Há um ditado chinês -”Quem sabe e não faz, no fundo não sabe“- muito apropriado para os dias de hoje.

Se você tem acabativa, mas não tem iniciativa, faça um curso de criatividade, estude um pouco de teoria. Empresário que se vangloria de nunca ter estudado não serve de modelo.

No fundo, a esquerda precisa de acabativa da direita, e a direita precisa das iniciativas da esquerda.

Finalmente, se você não tem INICIATIVA nem tampouco ACABATIVA, só podemos lhe dizer uma coisa: Lamento.

Por Stephen Kanitz