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Iniciativa X Acabativa – Stephen Kanitz

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Isto é um teste de personalidade que poderá alterar a sua vida.

INICIATIVA é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas idéias.

Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca.

ACABATIVA é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram. É a capacidade de colocar em prática uma idéia e levá-la até o fim.

Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um:

– Os empreendedores, os iniciativos e os acabativos – sem contar os burocratas.

- Negociadores são aqueles que têm iniciativa e acabativa.

Um seleto grupo que não se contenta em ficar na idéia e vai a campo implantá-la.

- Iniciativos são criativos, têm mil idéias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática.

São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas que nunca assinaram uma promissória.

Acabativa é o ponto fraco desse grupo.

- ACABATIVOS são aqueles que gostam de implantar projetos.

Sua atenção vai mais para o detalhe que para a teoria.

Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação.

Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.

Essa singela classificação explica muitas das contradições do mundo moderno.

Empresários descobrem rapidamente que ficar implantando suas próprias idéias é coisa de empreendedor egoísta.

Limita o crescimento. Existem mais pessoas com excelentes idéias do que pessoas capazes de implantá-las.

É por isso que empresários ficam ricos e intelectuais, professores – morrem pobres.

Se Bill Gates tivesse se restringido a implantar suas idéias, teria parado no Visual Basic.

Ele fez fortuna porque foi hábil em implantar as idéias dos outros – dizem as más línguas – que até copiou algumas.

Essa classificação explica também por que intelectual normalmente odeia empresário, e vice-versa.

Há uma enorme injustiça, na medida em que os lucros fluem para quem implantou uma idéia, e não para quem a teve.

Uma idéia somente no papel é letra morta, inútil para a sociedade como um todo.

Um dos problemas do Brasil é justamente a eterna predominância, em cargos nos ministérios, de professores brilhantes, com iniciativa, mas com pouca ou nenhuma acabativa.

Para o Brasil começar a dar certo, precisamos valorizar mais os brasileiro com a capacidade de implantar nossas idéias. Tendemos a encarar o acabativo, o administrador, o executivo, o empresário como sendo parte do problema, quando na realidade eles são parte da solução.

O INICIATIVO almeja ser famoso, o ACABATIVO quer ser útil.

Mas a verdade é que a maioria dos intelectuais e INICIATIVOS não tem o estômago para devotar uma vida inteira a fazer dia após dia, digamos, bicicletas.

O INICIATIVO vive mudando, testando, procurando coisas novas, e acaba tendo uma vida muito mais rica, mesmo que seja menos rentável.

Por isso, a esquerda intelectual e a direita neoliberal conviverão sempre às turras, quando deveriam unir-se.

Se você tem iniciativa mas não tem acabativa, faça um curso de administração ou tenha como sócio um acabativo.

Há um ditado chinês -”Quem sabe e não faz, no fundo não sabe“- muito apropriado para os dias de hoje.

Se você tem acabativa, mas não tem iniciativa, faça um curso de criatividade, estude um pouco de teoria. Empresário que se vangloria de nunca ter estudado não serve de modelo.

No fundo, a esquerda precisa de acabativa da direita, e a direita precisa das iniciativas da esquerda.

Finalmente, se você não tem INICIATIVA nem tampouco ACABATIVA, só podemos lhe dizer uma coisa: Lamento.

Por Stephen Kanitz

Torcida – Carlos Drummond de Andrade

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“Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você.”
Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina.
Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai.
Estavam torcendo para você nascer perfeito.
Daí continuaram torcendo.
Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo.
O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida.
E o primeiro gol, então?
E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.
Começou a torcer até para um time.
Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente
que torce diferente de você.
Seus pais torciam para você comer de boca fechada,
tomar banho, escovar os dentes,
estudar inglês e piano.
Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.
Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão…..

Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.
Mas muita gente ainda torce por você!”

“Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.”

Carlos Drummond de Andrade

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