Post com a tag platão
Platão – O Mito da Caverna
0Platão – O Mito da Caverna
Texto extraído de “A República” de Platão . 6° ed. Ed. Atena, 1956, p. 287-291
Download do livro: Platão – O Mito da Caverna
Platão – O Banquete
2Apolodoro e um Companheiro
APOLODORO
- Creio que a respeito do que quereis saber não estou sem preparo. Com efeito, subia eu há pouco à cidade, vindo de minha casa em Falero, quando um conhecido atrás de mim avistou-me e de longe me chamou, exclamando em tom de brincadeira: “Falerino! Eh, tu, Apolodoro! Não me esperas?” Parei e esperei. E ele disse-me: “Apolodoro, há pouco mesmo eu te procurava, desejando informarme do encontro de Agatão, Sócrates, Alcibíades, e dos demais que então assistiram ao banquete, e saber dos seus discursos sobre o amor, como foram eles. Contou-mos uma outra pessoa que os tinha ouvido de Fênix, o filho de Filipe, e que disse que também tu sabias. Ele porém nada tinha de claro a dizer.
Conta-me então, pois és o mais apontado a relatar as palavras do teu companheiro. E antes de tudo, continuou, dize-me se tu mesmo estiveste presente àquele encontro ou não.” E eu respondi-lhe: “É muitíssimo prováve1 que nada de claro te contou o teu narrador, se presumes que foi há pouco que se realizou esse encontro de que me falas, de modo a também eu estar presente. Presumo, sim, disse ele. De onde, ó Glauco?, tornei-lhe. Não sabes que há muitos anos Agatão não está na terra, e desde que eu freqüento Sócrates e tenho o cuidado de cada dia saber o que ele diz ou faz, ainda não se passaram três anos? Anteriormente, rodando ao acaso e pensando que fazia alguma coisa, eu era mais miseráve1 que qualquer outro, e não menos que tu agora, se crês que tudo se deve fazer de preferência à filosofia”. “Não fiques zombando, tornou ele, mas antes dize-me quando se deu esse encontro”. “Quando éramos crianças ainda, respondi-lhe, e com sua primeira tragédia Agatão vencera o concurso, um dia depois de ter sacrificado pela vitória, ele e os coristas. Faz muito tempo então, ao que parece, disse ele. Mas quem te contou? O próprio Sócrates? Não, por Zeus, respondi-lhe, mas o que justamente contou a Fênix. Foi um certo Aristodemo, de Cidateneão, pequeno, sempre descalço; ele assistira à reunião, amante de Sócrates que era, dos mais fervorosos a meu ver. Não deixei todavia de interrogar o próprio Sócrates sobre a narração que lhe ouvi, e este me confirmou o que o outro me contara. Por que então não me contaste? tornou-me ele; perfeitamente apropriado é o caminho da cidade a que falem e ouçam os que nele transitam.” [..]
Faça download do livro completo: Platão – O Banquete
Platão – Apologia de Sócrates
0Apologia de Sócrates
por Platão
Primeira Parte – Sócrates apresenta sua defesa
I
O que vós, cidadão atenienses, haveis sentido, com o manejo dos meus
acusadores, não sei; certo é que eu, devido a eles, quase me esquecia de
mim mesmo, tão persuasivamente falavam. Contudo, não disseram, eu
o afirmo, nada de verdadeiro. Mas, entre as muitas mentiras que
divulgaram, uma, acima de todas, eu admiro: aquela pela qual disseram
que deveis ter cuidado para não serdes enganados por mim, como
homem hábil no falar.
Mas, então, não se envergonham disto, de que logo seriam desmentidos
por mim, com fatos, quando eu me apresentasse diante de vós, de
nenhum modo hábil orador? Essa me parece a sua maior imprudência,
se, todavia, não denominam “hábil no falar” aquele que diz a verdade.
Porque, se dizem exatamente isso, poderei confessar que sou orador,
não porém à sua maneira.
Assim, pois, como acabei de dizer, pouco ou absolutamente nada
disseram de verdade; mas, ao contrário, eu vo-la direi em toda a sua
plenitude. Contudo, por Zeus, não ouvireis, por certo, cidadão
atenienses, discursos enfeitados de locuções e de palavras, ou
adornados como os deles, mas coisas ditas simplesmente com as
palavras que me vieram à boca; pois estou certo de que é justo o que
eu digo, e nenhum de vós espera outra coisa. Em verdade, nem
conviria que eu, nesta idade, me apresentasse diante de vós, ó cidadãos,
como um jovenzinho que estuda os seus discursos. E todavia, cidadãos
atenienses, isso vos peço, vos suplico: se sentirdes que me defendo
com os mesmos discursos com os quais costumo falas nas feiras, perto
dos bancos, onde muitos de vós tendes ouvido, e em outros lugares,
não vos espanteis por isso, nem provoqueis clamor. Porquanto, há o
seguinte: é a primeira vez que me apresento diante de um tribunal, na
idade de mais de setenta anos: por isso, sou quase estranho ao modo de
falar aqui. Se eu fosse realmente um forasteiro, seu dúvida,
perdoaríeis, se eu falasse na língua e maneira pelas quais tivesse sido
educado; assim também agora vos peço uma coisa que me parece justa:
permiti-me, em primeiro lugar, o meu modo de falar – e poderá ser pior
ou mesmo melhor – depois, considerai o seguinte, e só prestai atenção
a isso: se o que digo é justo ou não: essa, de fato, é a virtude do juiz,
do orador – dizer a verdade. [..]
Baixe o livro completo: Platao – Apologia de Socrates
Comentários recentes